interrogacao.   Quais são os tipos de pessoas que buscam serviços como sites de relacionamentos? Essa é uma das primeiras perguntas que estamos acostumados a ouvir quando atendemos os nossos clientes.

   Há uma idéia pré-concebida de que as pessoas que buscam os sites realmente estão fadadas a solidão e como se fosse um ato de desespero, acabam recorrendo a esse tipo de serviço. Engraçado… Embora seja muito comum o uso dos sites no exterior, ainda permanece certo pré-conceito aqui no Brasil. Jogamos a pergunta sempre para aquele que indaga dizendo que as pessoas que nos procuram, são pessoas como VOCÊ.

   Estranho? Pois é. No geral, as pessoas que procuram o nosso trabalho estão na faixa dos 30 aos 65 anos, busca de homens e mulheres está cada vez mais equilibrada. Realmente é muito diferente uma pessoa de 30 anos e outra de 65 mas percebemos que há algo em comum. São pessoas estáveis profissional e financeiramente, com um bom nível sócio-cultural. Alguns saíram de um relacionamento de muito tempo, outros estão em busca de construir um relacionamento agora. Possuem amigos casados, com filhos. No âmbito profissional, não podem se expor saindo com qualquer pessoa. Estão cansados de saírem de balada ou em bares para paquerar e acabar encontrando pessoas que não querem algo sério ou não têm nenhuma afinidade. Resultado: o meio social fica muito restrito para conhecer alguém para se relacionar.

   Sim, são esses perfis que procuram o nosso trabalho. Não são estranhos, depressivos, nem frustrados. São pessoas comuns que diante dessa configuração, não encontram alguém interessante para se relacionar.

   Lógico que não é tão simples encontrar alguém. Precisamos nos arriscar minimamente, saindo de casa, olhando para os lados, se inscrevendo em um site de relacionamento, conversando com pessoas novas e assim por diante. Nosso trabalho é apenas uma nova ferramenta que auxilia a busca por um parceiro.  E pessoas se utilizam dessa ferramenta e muitas vezes são bem sucedidas!!!

   Relacionamento é algo complicado… A procura de um parceiro ou parceira é algo que nos motiva quando estamos sozinhos e quando finalmente encontramos, achamos , ilusoriamente, que nossos problemas acabaram. Sim, pura ilusão pois eles mal começaram.

   As diferenças entre as pessoas quando começam a se relacionar tornam-se gritantes e, bem de pertinho, todo mundo tem suas excentricidades. Aquilo que não é nosso, faz com que olhemos com certo estranhamento e é tão difícil entender porque Fulano se comporta de tal maneira. Pegamos no pé de nossos companheiros e companheiras, principalmente em relação aquilo que provavelmente jamais mudarão. Mesmo assim, pisamos no calo dos amados e muitas vezes até maltratamos quem está tão presente no nosso dia a dia pelo simples fato de estar ali, sempre ao nosso lado.

   Quando entra uma discussão de gênero, a coisa vai longe. Pois os homens são assim e as mulheres assado. E assim vai, a discussão de objetividade versus romantismo, dando espaço para a incompreensão instaurada na relação.

   Pois é. Se relacionar não é fácil e o que sustenta qualquer relacionamentochocolatecake1 independente das diferenças existentes é a base em que tudo isso foi construído. Se a base consiste em respeito, companheirismo e amor, tudo aquilo que vai se colocando em cima, tem que ser temperado de muita calma e paciência já que nada é um mar de rosas. E assim é a receita daqueles grandes sábios e   casais de velhinhos unidos até então.

   Havíamos agendado um horário para um tal de Renato, que pediu informações por telefone e agendou visita. Uma pessoa da equipe o recebeu e encaminhou até a sala de atendimento. Quando entrei na sala, na hora reconheci. Era um amigo da família, conhecido meu, inclusive casado com alguém da família.

Quando ele me viu na hora começou a tossir, deixou cair o celular e ficou todo atrapalhado. Cumprimentei:

- Oi Renato. Você por aqui? Tudo bem?

- Oi Mari.. Ééé.. Nossa. Cof cof (tossia) Peguei uma gripe esses dias. Que loucura! Ééé. Tudo bem sim. Ééé… Não sabia que você trabalhava aqui.

Eu tentei ser o mais gentil possível e deixá-lo mais à vontade apesar do aparente desconforto dele. Perguntei se ele queria uma água e fui buscar por causa da “tosse”.

Quando voltei ele estava mais calmo e foi logo falando:

- Que legal que você trabalha aqui. Pois é. Você sabe o Cidinho? Aquele meu amigo que separou da mulher faz pouco tempo e que trabalha comigo?

Eu não tinha a menor idéia de quem ele estava falando mesmo porque nunca tive muita proximidade de conversar sobre o trabalho dele mas enfim… Resolvi fingir e entrar na onda.

- Sei, sei.

- Pois é, o cara tá mal pra caramba. Chega chorando quase todos os dias no trabalho. A mulher tirou os filhos dele, não deixa mais ele ir na casa e ainda tá pedindo uma pensão altíssima. O Cidinho tá todo cabisbaixo. Você é psicóloga né? Ah, então, depois vou dar o seu cartão pra ele, você tem? To até com medo de ele entrar em depressão sabe? Então acabei querendo ajudar o cara né? Afinal amigo é pra essas coisas. Mas me explica como é que funciona isso?

Acabei explicando o trabalho, inclusive que a Selecto não aceitava pessoas casadas, etc. E o Renato fingindo que me escutava, todo bagunçado, até suando, fazia que sim com a cabeça e não via a hora de sair de lá. Terminei o atendimento falando pra ele que o Cidinho teria que vir pessoalmente, etc.

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